Ano VI - novembro/dezembro 2007         31

Uma K onde os alemães 
não são os astros

Liliam Benzi, especial de Düsseldorf.

Se os bioplásticos ou plásticos de fonte renovável foram uma das tônicas da K 2007, realizada em outubro, na Alemanha, a brasileira Braskem foi sem dúvida umas das empresas que mais se destacou nesta área sendo, inclusive, tema da abertura da Conferência European Bioplastics, realizada um dia antes do início da feira, em Düsseldorf.

O polietileno verde criado pela empresa a partir de etanol 100% de cana-de-açúcar despertou a atenção dos visitantes, superando as expectativas dos executivos. "Prevíamos distribuir 4.000 folhetos durante a feira e, somente no primeiro dia, distribuímos quase 2.000", relata o Diretor de Tecnologia & Inovação da Braskem, Luis Fernando Cassineli.

"Este boom de interesse só confirmou o que havíamos detectado em uma pesquisa feita com empresas como Procter & Gamble, Body Shop, Tetra Pak, Natura, Kimberly Clark sobre o melhor approach verde. O resultado, praticamente unânime, foi o plástico de fonte renovável", completa José Carlos Grubisich, CEO da empresa.

Segundo ele, o lançamento na K atraiu a atenção dos grandes convertedores pelo fato do novo polietileno ter as mesmas propriedades e garantir a mesma performance das resinas convencionais, mas com a grande vantagem de ser oriundo de uma fonte renovável. "Além disso, a cana-de-açúcar contribui para a absorção do dióxido de carbono. O produto final, assim como os polímeros feitos de nafta ou gás natural, pode ser usado por várias indústrias, como cosméticos, utensílios domésticos, embalagens, etc." Outra vantagem é que hoje o Brasil é o maior produtor de etanol de cana-de-açúcar do mundo com 18 bilhões de litros/ano que deverá dobrar nos próximos 5 anos. O novo polietileno verde já foi certificado por um dos principais laboratórios internacionais, o Beta Analytic, que assegura que o material é 100% de fonte renovável. Grubisich está seguro de que "o Brasil será para o polietileno verde o que o Oriente Médio é para os polímeros de fontes não renováveis, uma referência e um centro de excelência".

Durante a K, a Braskem anunciou o start de uma planta exclusiva para a produção de polietileno verde já em 2009 com capacidade para 200 toneladas/ano e que consumirá um investimento de US$ 2,3 bilhões. Atualmente a planta piloto montada no Centro de Tecnologia em Triunfo, sul do Brasil, e que consumiu um investimento da ordem de US$ 5 milhões desde o início do projeto em 2006, tem capacidade para produzir 1 tonelada/mês.

Este material tem sido transformado em amostras que são distribuídas entre vários clientes nacionais e internacionais, especialmente os que atuam nas áreas de alimentos, embalagem, brinquedos e automotiva. "Já na K, recebemos uma consulta de um cliente na Ásia que gostaria de utilizar o polietileno verde para produzir sacos de lixo. O consumo inicial seria de 2.000 toneladas/ano", exemplifica Grubisich.

Ousadia amarela - Mas não foi apenas o Brasil que atraiu a atenção dos 250 mil visitantes presentes à K 2007. Os 42 expositores chineses definitivamente se posicionaram no mercado dos plásticos como players internacionais. Prova de que deixaram de lado o estigma do "patinho amarelo feio" foram os estandes grandes e posicionados lado-a-lado com os gigantes tradicionais da área de máquinas.

A "ousadia" é justificada pelos números. A indústria de plástico chinesa registra um crescimento superior a 15% ao ano o que leva a crer que, mais do que nunca, o início do século 21 dependerá do desenvolvimento deste país. E a tendência é só crescer. Entre Janeiro a Junho de 2007, a produção de itens plásticos do país atingiu o patamar de 14,718 milhões de toneladas, o que representa um crescimento próximo a 15% em relação a igual período do ano anterior.

Somente os filmes plásticos chegaram a 2,84 milhões de toneladas no período, um aumento de mais de 10% em relação a 2006. Neste universo, os filmes para agricultura registraram a melhor performance: 448 mil toneladas que equivalem a um crescimento beirando 4,5%.

A produção de embalagens plásticas rígidas, especialmente caixas e containers, também surpreendeu entre Janeiro a Junho de 2007, com 807 mil toneladas, ou seja, 7,68% a mais que no ano passado. Sem contar que as embalagens plásticas são as com os maiores índices de crescimento.

Outro dado importante é que a produção de materiais plásticos para embalagem responde por 40% da produção total de materiais de embalagem, ocupando a posição de número 1 no ranking. Com base nestes números, estima-se que a demanda chinesa de plásticos representará ¼ do consumo mundial já em 2015. A maior demanda dos 1,3 bilhão de chineses – 760 milhões ainda cidadãos agrícolas – são as embalagens para alimentos e embalagens para produtos farmacêuticos, especialmente blisters e garrafas.

Mas diante do avanço chinês, os especialistas internacionais especulam: será que a China conseguirá sustentar as taxas de crescimento da exportação nos níveis atuais - entre 12% e 14% - sem deixar seu mercado interno desabastecido? Outra preocupação é a mudança de foco dos chineses: de fabricantes de produtos commodities para líderes na produção de itens com alto valor agregado, como os componentes para diagnósticos médicos e os avançados sistemas eletrônicos.

Alia-se a este arrojo comercial o fato dos chineses estarem em total sintonia com as novas driven forces do mundo moderno da embalagem: proteção ambiental e saúde do consumidor final. Todos os esforços para inovar, em materiais e em embalagens plásticas, são permeados por estas duas vertentes. Prova disso é que o crescimento dos aditivos plásticos na China – usados para melhorar as propriedades das embalagens – está entre 8% e 10% ao ano.

Tudo leva a crer que dificilmente alguma coisa barrará o avanço amarelo, pelo menos a médio prazo. Tanto que os analistas internacionais apostam que, em no máximo dois anos, o país competirá de igual para igual com os processadores dos EUA e Europa.

ABIEF também marca 
presença na K

Cerca de 350 profissionais de todo o mundo visitaram o Meeting Point Brasil, onde a ABIEF fincou bandeira durante os 8 dias de realização da K 2007 – 24 e 31 de outubro – em Düsseldorf, Alemanha. Para os interessados no mercado brasileiro de embalagens plásticas flexíveis, foram distribuídos folhetos institucionais e o CD-rom do Guia do Setor, que traz informações sobre o mercado, os associados e seus produtos, divididos por segmentos de atuação.

O Meeting Point Brasil, como o próprio nome sugere, também serviu de ponto-de-encontro para boa parte dos brasileiros presentes à Feira. De acordo com o representante da K no Brasil, Lauri Muller, da MDK, foram computados cerca de 3.000 visitantes brasileiros e 12 expositores contra 18 registrados na K 2004.

Nos 19 pavilhões estiveram presentes 3.200 expositores, sendo que o país com maior contingente de empresas foi a Itália que ocupou uma área de 30 mil m², seguida pela Suíça (8,3 mil m²), Áustria (6,5 mil m²), Taiwan (5,3 mil m²), e França, Inglaterra e EUA, cada um com cerca de 4 mil m². O Brasil foi o país com a maior representação da América Latina, representação esta semelhante à da Rússia, mas muito inferior à da China e Índia, os países emergentes que compõem o BRIC.

       


  


Palavra do Presidente

Um compromisso com o futuro

Avaliar a performance de nossa indústria em um ano tão conturbado como foi 2007 realmente não é das tarefas mais fáceis. Mas deixar uma análise para mais tarde, poderia ser irresponsável. Vivemos um ano de verdadeira reorganização da primeira e da segunda geração. Tudo em nome da globalização.

Mas é preciso ter coragem para apontar os prós e contras destes movimentos e incentivar a terceira geração a enxergar o que está acontecendo, não apenas no cenário nacional, mas no mundo.

Se quisermos ser competitivos e continuar neste mercado precisamos estar abertos a tudo, inclusive fusões, aquisições e incorporações.

Fechamos 2007 com um crescimento que não foi condizente com nossas expectativas iniciais. Mas o principal é que não paramos, nem as indústrias nem a ABIEF. Apesar das dificuldades, nossa Associação encabeçou uma série de projetos e desencadeou importantes ações.

Foi um ano de muito trabalho. Só lamentamos o fato de muitos de nossos associados não terem percebido nossos esforços em prol da indústria nacional. Muitas vezes não deram o devido valor às coisas que realmente importam para a tomada de decisões certeiras.

De qualquer forma, encerramos o ano com a certeza de termos andado de forma bastante coesa rumo a uma das necessidades mais gritantes de nossa indústria: a união da cadeia do plástico para formar uma massa crítica capaz de sensibilizar governos, mercados e a sociedade em geral.

Em 2008, esperamos ter fôlego para acompanhar todas as projeções otimistas que têm sido feitas pelos economistas de plantão. Esperamos ainda uma maior atenção e compreensão do novo modelo petroquímico sobre a fragilidade de nosso setor e desejamos um ano de investimentos, crescimento e, acima de tudo, muita responsabilidade por parte de nossas indústrias.
  
    

Rogério Mani – Presidente

    

       

Quanto mais camadas, mais valor.

O crescimento do mercado de filmes soprados está criando um novo desafio para os transformadores: oferecer, cada vez mais, novas funções integradas aos filmes. Em outras palavras, são os filmes multicamadas que ditarão o ritmo de crescimento e de adição de valor a este negócio. Esta "teoria" foi facilmente comprovada na K 2007, na Alemanha.

A norte-americana General Films, por exemplo, decidiu aumentar sua capacidade produtiva com uma linha para filmes de nove camadas. O investimento visa, basicamente, aumentar a sua competitividade em mercados externos com filmes de alta barreira e estruturas mais complexas que atenderão a um maior número de mercados e clientes. A nova linha, fornecida pela Battenfeld Gloucester, também possibilitará à empresa produzir, em linha, bolsas e filmes tubulares.

Mas a principal demanda por estruturas mais "ricas e sofisticadas" ainda vem da indústria de alimentos. Se no passado filmes de 3 a 5 camadas eram suficientes, hoje filmes com mais de nove camadas – os de 11 são o sonho de consumo do momento – são indispensáveis. Estas camadas são necessárias para garantir barreiras mais eficientes contra luz e oxigênio, boa selagem e ótima printabilidade.

Os especialistas alertam, contudo, que o bom projeto de máquina não é apenas aquele que garante mais barreiras; mas sim o que garante mais barreiras com igual flexibilidade do conjunto e alto nível de automação. Como resposta, os projetos modulares avançam a passos rápidos.

De acordo com a gigante alemã Reifenhäuser é preciso ainda estar atento a dois outros aspectos do novo mercado: o desejo por filmes de alta qualidade e a excelente relação custo-benefício. E para atender a este novo perfil de mercado, a empresa foca boa parte de seus esforços na melhoria de performance da linha, tendo como ponto central do projeto o produto a ser embalado. Outro item que pesa nas decisões é o aprimoramento das matérias-primas que leva a materiais cada vez mais "inteligentes".

Um bom exemplo destas resinas inteligentes foi dado na própria K. Muitos dos grandes fabricantes mundiais de extrusoras – Windmöeller, Machhi e Reinfenhäuser - fizeram questão de rodar, durante a feira, polietilenos metalocênicos que garantem maior produtividade e transparência ao filme.

Mas o jogo desta nova geração de máquinas também é composto por outros elementos como: alta produtividade – entre 600 e 750 quilos/hora; sistemas especiais de resfriamento; roscas com design diferenciados; e motores sem redutores que garantem maior eficiência no consumo de energia, redução de ruído e estabilização na extrusão. 

       

Aumento de produção e novos produtos são as metas da Polysack

Com uma experiência de oito anos no Brasil na produção de telas de sombreamento agrícola de PEAD (polietileno de alta densidade) mono-orientado, a israelense Polysack Plastic Industries começa 2008 com um novo desafio: aumentar em 20% sua capacidade de produção. A ampliação é justificada, em parte, pelo expressivo aumento das vendas da empresa nos últimos cinco anos.

O outro desafio, como explica Boris Sister, é conquistar o mercado de telas decorativas. Atualmente a empresa já produz telas com peso de 130 gramas/m2 nas cores, azul, branca, preta, amarela, verde, vermelha e prata.

Segundo ele, as telas coloridas estão direcionadas para os mercados de coberturas para automóveis, muito utilizadas em supermercados e postos de gasolina, além das coberturas para quadras esportivas, entre outras. A empresa também está prospectando o mercado de sacolas plásticas retornáveis como uma nova aplicação para essas telas.

            

Parabéns aos nossos associados pelas seguintes conquistas:

  • O Hemocentro Regional de Juiz de Fora – Hemominas comemorou 20 anos de atuação na cidade e na região. Na ocasião, a Hiper Roll   Embalagens foi certificada como empresa parceira da instituição.
  • A Pincelli Ind. Com. Embalagens recebeu, no dia 06 de Dezembro, o Prêmio "Transformador do Ano 2007" concedido pela Abflexo.
  • Os associados da ABIEF, vencedores do PPR 2007 – Prêmio Plásticos em Revista, entregue em Novembro, foram: FFS e Embaquim.

             

Participação da ABIEF na Fispal Nordeste supera expectativas

Cerca de 700 profissionais visitaram o estande da ABIEF durante a Fispal Nordeste, Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Embalagens e Serviços para Alimentação, realizada entre os dias 6 e 9 de novembro, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE).
Liliam Benzi e Esmeralda 
Frias no estande

O objetivo da Associação este ano foi ampliar a regionalização de suas atividades e captar novos sócios, mostrando todos os projetos e ações realizados em prol do desenvolvimento da indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis.

Durante o evento, a ABIEF identificou três potenciais sócios, sendo que um deles se associou logo no primeiro dia da feira. A nova associada é a Japira Plásticos.

Segundo a organizadora da Feira, a Brazil Trade Shows, a edição de 2007 contabilizou quase mil visitantes a mais do que no ano passado, totalizando 26.148 mil profissionais. "O recorde de circulação fortalece o evento como um dos mais importantes ambientes de lançamentos e negócios no setor de alimentos e bebidas do Nordeste, passando por toda a cadeia produtiva", pontuou Marco Antonio Mastrandonakis, Diretor da Feira.

Outro recorde foi a participação das indústrias de embalagem em geral. Nesta edição, a Fispal Nordeste registrou um aumento de 30% na participação de empresas do setor. Entre elas, algumas da área de flexíveis, como a Bemis (Dixie Toga).

    

Em defesa da sacola

A ABIEF, juntamente com outras entidades do setor, participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Uso Responsável de Embalagens Plásticas em uma cerimônia realizada no início de Dezembro na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

O trabalho, coordenado pelo Deputado Estadual Orlando Morando, já resultou na assinatura de um acordo entre a Plastivida, o INP, a Abiplast e a Abras (Associação Brasileira dos Supermercados) que prevê a melhoria da qualidade das sacolas e o reforço dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) perante toda a sociedade.

O Presidente da ABIEF, Rogério Mani, participou da solenidade e foi uma das personalidades convidadas para compor a mesa na ocasião.

ABIEF no CETEA

A ABIEF foi convidada para fazer parte do Conselho Consultivo do CETEA (Centro de Tecnologia de Embalagem de Alimentos), ligado ao ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos) da Unicamp. Para formalizar a parceria, em Novembro o Presidente da entidade, Rogério Mani, visitou as instalações do CETEA em Campinas. A partir de agora os associados da ABIEF terão acesso aos trabalhos realizados pelo CETEA, órgão reconhecido, inclusive internacionalmente, como uma referência em excelência tecnológica.

Engajamento em questões ambientais

A participação da ABIEF em eventos de cunho ambiental aumentou consideravelmente em 2007. No final do ano, a entidade foi convidada pela ABRE (Associação Brasileira de Embalagem) a apresentar, em uma reunião de seu Comitê de Meio Ambiente, as diretrizes do Programa de Qualidade e Consumo Responsável criado em parceria com a Plastivida.

Em sua palestra, o Presidente da ABIEF, Rogério Mani, enfatizou a importância das sacolas plásticas no mundo moderno e o impacto irrelevante que elas têm no lixo urbano. "Além do plástico só utilizar 4% de todo o petróleo gerado no mundo, hoje o Brasil já recicla cerca de 20% de todo o plástico pós-consumo, um índice semelhante ao da Europa."

Segundo Mani, a falta de um sistema de coleta seletiva ainda é o principal gargalo da indústria brasileira de reciclagem que convive com uma ociosidade de 40%. Em 2006 foram 520 mil toneladas de material plástico reciclado no Brasil. 

     

BEM-VINDOS À ABIEF

A ABIEF dá as boas-vindas aos seus novos associados:

  • Itap Bemis Ltda.
  • Japira Plásticos

              

Edição e Redação: LDB Comunicação Empresarial, e-mail: ldbcom@uol.com.br. Editora Responsável: Liliam Benzi – Mtb 19.352. Projeto Gráfico, Diagramação e Ilustrações: Formato Editoração e Design, e-mail: formato.sp@terra.com.br