Ano VII - julho/agosto 2008         34

Preço da resina deve ser corrigido a partir do 2o semestre deste ano

Esteban Sagel

Esta foi a principal mensagem passada por Esteban Sagel, Diretor Poliolefinas – América do Norte da CMAI (Chemical Market Associates, Inc), que palestrou em um evento realizado pela ABIEF em parceria com a Abiplast, Abrafilme e Afipol no Hotel Sofitel, em São Paulo, em Agosto, e que reuniu cerca de 120 profissionais do setor.

Segundo o consultor, a partir da segunda metade deste ano os preços das resinas serão corrigidos em função de dois fatores: queda no preço internacional do petróleo e excesso na capacidade de produção de resinas. A queda no preço da energia e no preço dos custos logísticos são fatores que também terão um impacto positivo no preço da resina termoplástica.

"Mas a volatilidade no mercado de petróleo continuará. Temos visto reduções significativas de preço nas últimas semanas, mas há uma certa inabilidade dos produtores em garantir um suprimento suficiente em bases globais o que deve fazer com que o preço do barril se mantenha na faixa de US$ 122 este ano e na faixa de US$ 117 no próximo ano", conclui.

Uma outra solução, que é a produção de resinas a partir de gás, também corre certo risco. Para Sagel, embora os suprimentos de gás da América do Norte estejam crescendo, seus preços tendem a seguir o preço do petróleo. "O fornecimento de propileno também continua restrito como resultado das taxas de operação limitadas das refinarias e da ênfase em estoques mais leves de etileno craqueado."

Um outro ponto levantado por Sagel é que a América Latina se tornará um mercado alvo para a importação de resinas do Oriente Médio. "Mas isto não acontecerá amanhã. Primeiro veremos uma maximização de exportações para a China, depois para a Europa e finalmente para a América Latina", pontua.

Atualmente, depois da China e da Comunidade Européia, o Sudeste Asiático é o principal mercado para os produtores do Oriente Médio e da Índia, especialmente Malásia, Cingapura, Tailândia e Indonésia. Mesmo assim, as vendas de polietileno (PE) destes fabricantes globais para a região caíram mais de 22% no primeiro semestre de 2008 em comparação a igual período do ano anterior; somente os quatro países citados acima registraram uma queda de 17% nas importações no período.

Na Ásia, após alcançar um nível de preço recorde em Junho, as resinas mantiveram preços estáveis em Julho. Os analistas esperam que estes preços caiam nas próximas semanas por conta da grande disparidade entre os preços domésticos e os regionais.

Em uma coisa Sagel é categórico: "os preços da resina são essenciais para definir a competitividade da terceira geração e, infelizmente, não há uma situação estável. O cenário muda de acordo com o equilíbrio de mercados e da oferta X demanda". Portanto, ele aconselha que o transformador tenha, cada vez mais, uma visão global do mercado.

Mas mesmo com a queda no preço da resina e uma melhoria na competitividade da terceira geração, o consultor vislumbra um outro entrave: a pressão que os clientes diretos da indústria de embalagem farão para que haja um repasse desta redução para o preço dos produtos transformados.

"Não é que os preços das resinas despencarão a partir da segunda metade do ano. Haverá sim uma correção de preço que dará um certo fôlego para os transformadores, desde que eles saibam negociar com o mercado", finaliza.
   

As principais mensagens:

  • o perigo das importações permanece – a globalização veio para ficar;

  • é importante rastrear a posição relativa do preço das resinas para determinar a competitividade entre as várias regiões do planeta; você só será competitivo se os preços da resina permitirem;

  • os custos da energia e seu impacto nas taxas de frete também podem afetar os movimentos do mercado.


        


  


Palavra do Presidente

O problema do plástico é a sua imagem

Um artigo publicado com grande sabedoria na revista "Polímeros: Ciência e Tecnologia" chamou muito minha atenção e foi extremamente inspirador para reforçar uma posição que há muito defendo: o que falta para a indústria do plástico não é exclusivamente uma política ambiental, mas – e principalmente - falta um programa adequado de promoção e divulgação das vantagens desse material e de sua importância no cotidiano da sociedade moderna.

Ao invés de gastarmos saliva e recursos tentando nos defender perante a mídia e perante a sociedade sobre os supostos malefícios de nossas embalagens plásticas, deveríamos aproveitar as oportunidades para fazer um discurso absolutamente fiel à realidade e que pregasse, entre outras coisas:

  • que o plástico não deve ser tratado como lixo, pois ele não é lixo;
  • que não é possível viver sem embalagens;
  • que o plástico tem vantagens que não podem ser negligenciadas;
  • que não é verdade que ser ecologicamente correto significa ser biodegradável;
  • que não é verdade que os materiais plásticos são responsáveis pelo assoreamento dos rios e conseqüentemente pelas enchentes;
  • e que a coleta mecânica de plásticos é cara.

Estes são conceitos que foram paulatinamente disseminados e introjetados pelo consumidor que na minha opinião carece de um pensamento analítico. Aparentemente ele não pensa, apenas consente e incorpora o que a mídia lhe apresenta como verdade.

A verdade é que o plástico contribuiu, contribui e continuará contribuindo para a evolução das sociedades, dos mercados e das economias. O que precisa ser mudado e melhorado, pelo menos no Brasil, é a educação do consumidor. Cabe à indústria de embalagem ajudar a educar a sociedade de forma a torná-la mais investigativa e menos passiva e assim despertar a percepção do real valor das embalagens e dos plásticos.

Quando uma sociedade descarta um produto plástico como lixo, ela demonstra estar deseducada e desinformada, uma vez que todo o plástico deveria ser tratado como uma matéria-prima já que é potencialmente reciclável e reutilizável! Assim como imaginar uma vida sem embalagens seria o mesmo que decretar o fim do acesso das pessoas aos produtos nos lugares mais longínquos e de forma segura.

Todas estas defesas ganham ainda mais força quando olhamos os números: apenas entre 4% e 8% do lixo são constituídos por plásticos; 90% ou mais do lixo urbano não é plástico. Portanto, defender quaisquer dos pontos expostos acima é mostrar desconhecimento técnico e uma forte tendência à involução.
  
    

Rogério Mani – Presidente

    

    

PE metaloceno melhora produtividade dos filmes shrink

Durante a Chinaplas, realizada na China em Abril, a ExxonMobil lançou uma nova geração de polietileno metaloceno, o Enable mPE, com propriedades de encolhimento superiores às das blendas ricas em PEBD (polietileno de baixa densidade) comumente usadas na produção de filmes shrink.

Enquanto a primeira geração de PE metaloceno da empresa, a Exceed mPE, foi desenvolvida para maximizar a performance do filme - melhoria da qualidade da selagem, maior resistência a impacto, melhores propriedades óticas e rigidez – o novo Enable mPE tem apenas uma molécula para melhorar a produtividade e o fluxo de operação do filme a partir da melhoria da estabilidade e da saída da máquina em mais de 20%.

O novo material pode ser usado em linhas cast, blown (coextrusão mono e multicamadas) e em linhas de PEBD e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade). Os mercados alvo são os de filme shrink (para paletes), sacos (bags) para cargas pesadas e médias (entre 10 e 25 quilos); filmes cast para empacotamento manual e filmes agrícolas. De fato, o Enable mPE substitui as blendas enriquecidas com 60% a 70% de PEBD, resultando em um filme com espessura 25% inferior e maior resistência.

Como exemplo prático da eficiência do novo material, a ExxonMobil afirma que no caso de filmes para bags de alta resistência, a saída aumenta de 200 Kg/hora para 240 Kg/hora. Outra vantagem apontada pela multinacional é a eliminação de possíveis erros de custo associados às blendas muito complexas.

A proposta da ExxonMobil é aumentar ainda mais seu portifólio de metalocenos e assim atender às crescentes necessidades da cadeia de valor relativas à diversidade de aplicações dos filmes plásticos. A empresa aposta que o número de aplicações de filmes crescerá cada vez mais e que a coextrusão será o processo de transformação do futuro com base no alto nível de qualidade dos filmes.    

 

JBM conquista certificação ABNT

Parabéns a JBM, associada da ABIEF, pela certificação ABNT NBR 14937:2005. Esta certificação indica que a empresa está alinhada ao Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas que prevê a produção de sacolas plásticas mais resistentes, como uma forma de reduzir o consumo e a conseqüente produção, evitar o desperdício e incentivar o uso contínuo.

    

Até que ponto o consumidor final é "verde"?

Uma pesquisa realizada recentemente nos Estados Unidos demonstrou que os consumidores estão dispostos a gastar US$ 13 a mais em cada US$ 1.000 para comprar produtos ambientalmente responsáveis. Um outro estudo realizado pela Edelman com 5 mil consumidores em nove países, incluindo Brasil e China, também detectou que 70% dos entrevistados desejam pagar mais por marcas que sustentem a causa ambiental e 73% pagariam mais por produtos ambientalmente corretos.

Um estudo do Wal-Mart completa o quadro mostrando que 62% dos consumidores norte-americanos comprariam produtos "verdes" se eles custassem o mesmo dos produtos tradicionais. 57% desses mesmos entrevistados disseram que comprariam produtos "eco-amigos" se soubessem como eles afetam o meio ambiente e 78% disseram precisar de mais informações sobre como resolver as questões ambientais.

O fato é que por mais que estas pesquisas com consumidores pressionem as empresas a pensar sobre a questão, a maioria delas ainda ignora o assunto sustentabilidade em sua essência e totalidade. Prova disso é que um outro estudo realizado pela Datamonitor no Reino Unido mostra justamente o descompasso entre os esforços que são feitos pelas empresas para agir de forma sustentável e a percepção dessas ações pelos consumidores.

Enquanto 84% das empresas avaliadas acreditam ser importante operar de forma sustentável, apenas 3% de seus consumidores acreditam na honestidade da empresa em relação a ações ambientais.

Os especialistas apostam que este descompasso não será tão gritante daqui para frente uma vez que 27% dos consumidores britânicos, por exemplo, deixaram de consumir um produto ou serviço no último ano pela má reputação da empresa em ser socialmente ou ambientalmente responsável.

Ou seja, cedo ou tarde as empresas terão que repensar seu caráter "sustentável", tornando-o mais consistente, e principalmente, tornando-o facilmente perceptível para o consumidor final. Elas precisarão entender que simplesmente alardear que seu produto é feito de um material derivado de uma fonte que não seja petróleo, no caso dos plásticos, não o torna automaticamente mais "verde" ou "sustentável" que os concorrentes.

E é justamente aí que a indústria de embalagem terá um papel cada vez mais relevante ao ajudar a formar e estruturar os critérios sustentáveis dos seus clientes diretos e, conseqüentemente, ajudar a formar uma opinião pública positiva.

   

Transformadores apresentam sugestões para aumentar a competitividade do setor

Após meses de trabalho, a ABIEF, juntamente com a Abiplast e entidades correlatas, apresentou para o Governo um estudo sobre o setor de transformados plásticos que engloba a caracterização desta indústria, sua relevância e sugestões para a criação de uma política produtiva que estimule a competitividade do setor.

O documento foi entregue para o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Dr. Miguel Jorge, em Brasília, no dia 24 de Junho, pelas mãos do Presidente da Abiplast, Merheg Cachum; do Presidente da Abrafilme, José Ricardo Roriz Coelho; do Presidente da Afipol, Eli Kattan; do Presidente da Abraflex e Abrinq, Synésio Batista da Costa; e do Presidente da ABIEF, empresário Rogério Mani.

As propostas têm como foco principal a criação de uma política de preços para a principal matéria-prima do setor, a resina termoplástica, e formas de atenuar seu peso sobre o preço final da 3a geração. Entre as medidas sugeridas no documento destacam-se:

  • estímulo a Pesquisa & Desenvolvimento, com ênfase no desenvolvimento de novos materiais;
  • apoio a pesquisas para obtenção de resinas de fontes alternativas (bioplásticos, por exemplo);
  • estímulo a projetos de reciclagem e desenvolvimento de novas tecnologias de reciclagem;
  • criação de linhas de financiamento específicas para atualização tecnológica, apoio à pesquisa e capacitação em design;
  • criação de programas para a formação de profissionais de design, capacitação das empresas em gestão e qualificação dos profissionais do setor;
  • apoio as empresas que participam do Programa Export Plastic e ações que facilitem a adesão de outras empresas;
  • criação de barreiras não-tarifárias, normas e procedimentos que restrinjam a concorrência de produtos transformados importados;
  • revisão da carga tributária.

O Governo ficou de estudar as reivindicações e sugestões do setor levando em consideração a importância dessa indústria para a economia nacional e suas potencialidades que poderão levar o Brasil a integrar a lista de principais produtores de artefatos plásticos do mundo. 

                          

Feiras regionais garantem visibilidade para ABIEF

Em agosto a ABIEF foi expositora de duas importantes feiras regionais. A Interplast 2008, realizada entre 25 e 29 de agosto, em Joinville (SC), chegou à sua quinta edição com um crescimento de 25% no número de expositores que ocuparam todo o complexo da Expoville. O número de visitantes ultrapassou a marca de 25 mil profissionais do setor, assim como houve um aumento expressivo no número de visitantes da América Latina e da Ásia.

Na Embala Nordeste (foto), que aconteceu em Recife (PE), entre os dias 18 e 21, a ABIEF participou em um estande em parceria com a Afipol. Segundo balanço da empresa organizadora, a Greenfield, "a feira superou as expectativas ao reunir 260 expositores e um público de mais de 12 mil pessoas diretamente ligadas ao setor".

Segundo eles, foi montado um verdadeiro parque industrial com mais de 400 equipamentos vindos de vários estados e de outros países. Também foram apresentadas novidades em insumos, serviços e produtos acabados. A ABIEF recebeu cerca de 300 profissionais em seu estande nos quatro dias de evento.

Fispal Nordeste terá edição recorde em 2008

Entre os dias 04 e 07 de Novembro será realizada a 6a edição da Fispal Nordeste – Feira Internacional de Produtos, Embalagens, Equipamentos, Acessórios e Serviços para Alimentação no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda (PE). A ABIEF terá um estande institucional neste importante evento do setor por estar alinhada à sua proposta: "desenvolver mercados e colocar produtos e serviços em contato direto com um público qualificado formado por profissionais da indústria, varejo e operadores de food service".

As previsões da BTS (Brazil Trade Shows), organizadora do evento, indicam que esta edição deverá bater um recorde de crescimento, superando os 350 expositores e os 26 mil visitantes registrados em 2007. Mais informações no site www.fispal.com.

Estande no Emballage está confirmado

Pela segunda vez consecutiva a ABIEF terá um estande no Emballage, uma das mais importantes feiras de embalagem do mundo, agendada para o período de 17 a 21 de Novembro no Parc des Expositions de Villepinte, em Paris (França). Este ano o tema central da feira, que está em sua 38a edição, será "Pack Different" (Embale Diferente). O evento deverá reunir cerca de 2.200 expositores, sendo 53% internacionais de 46 países e um número de visitantes ao redor de 110 mil profissionais. Mais informações no site www.emballageweb.com ou na Promosalons, sua representante no Brasil, pelo fone (11) 3168-1868 ou e-mail brazil@promosalons.com.

          

BEM-VINDO À ABIEF

A ABIEF dá as boas-vindas a Poly Mark Embalagens Ltda. de Atibaia (SP).

              

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